A capital histórica de Zanzibar, é um dos lugares mais fascinantes da África Oriental. Situada na ilha de Unguja, esta cidade costeira combina influências árabes, africanas, indianas e europeias, criando um ambiente único onde cada rua estreita conta uma história.
Stone Town é um testemunho vivo das antigas rotas comerciais do Oceano Índico, e das culturas que aqui se cruzaram durante séculos. A cidade é um labirinto de vielas, com casas degradadas, crianças a bricar na rua, mercados coloridos, palácios e igrejas antigas e portas de madeira esculpidas, que são verdadeiras obras de arte.
Aqui o aroma das especiarias mistura‑se com o movimento das pessoas, com a presença constante do mar e com o chamamento para a oração que regularmente ecoa das mesquitas.
Antes da ascensão do Sultanato de Omã, a ilha viveu um período marcado pela presença portuguesa, que deixou tanto contributos arquitetónicos como um legado mais sombrio. Durante o domínio português, entre os séculos XVI e XVII, Zanzibar integrou-se nas rotas comerciais do império, incluindo o tráfico de escravos africanos. A ilha tornou-se um ponto estratégico no comércio de pessoas capturadas no interior da África Oriental e enviadas para mercados no Médio Oriente, Índia e outras regiões. Este passado doloroso, que continuou mesmo após o fim da ocupação portuguesa, marcou profundamente a história local. Stone Town viria a tornar-se um dos maiores entrepostos de escravatura do Oceano Índico, e muitos dos locais históricos da cidade recordam hoje essa realidade, preservando a memória das vítimas e o impacto humano deste comércio.
História da cidade e influência portuguesa
A presença portuguesa em Stone Town começou no século XVI, quando os navegadores estabeleceram fortificações e passaram a controlar o comércio marítimo da região. O Forte Antigo, ainda hoje visível, é um dos testemunhos mais marcantes dessa ocupação. Com o declínio do poder português, a ilha passou para o Sultanato de Omã, que transformou Stone Town num centro comercial próspero, especialmente ligado ao comércio de especiarias e escravos. Esta mistura de influências — portuguesa, árabe, africana e indiana — moldou a identidade da cidade, hoje reconhecida como Património Mundial da UNESCO.
Atrações a visitar
Stone Town é uma cidade onde cada esquina revela uma história, e onde o passado permanece presente na arquitetura, nos mercados e nos edifícios que testemunharam séculos de comércio, migração e conflito. Explorar as suas atrações é mergulhar numa narrativa multicultural que combina influências árabes, africanas, indianas e europeias.
O Forte Antigo é o ponto de partida ideal para compreender a evolução da cidade. Construído pelos portugueses no século XVII, serviu como estrutura defensiva contra ataques de povos rivais e piratas. Hoje, o forte acolhe eventos culturais, pequenas lojas de artesanato e oferece uma vista privilegiada sobre o mar. Caminhar pelas suas muralhas permite imaginar a vida durante o período colonial e perceber a importância estratégica de Zanzibar nas rotas do Oceano Índico.
A Casa das Maravilhas, construída pelo sultão Barghash em 1883, é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Foi o primeiro edifício de Zanzibar a ter eletricidade e elevador, simbolizando o poder e a modernidade do sultanato. Embora atualmente esteja encerrada para restauro, a sua fachada imponente continua a ser um marco visual da cidade e um testemunho da opulência da época.
A casa onde Freddie Mercury passou parte da infância em Stone Town é hoje um dos lugares mais populares da cidade: um edifício modesto, de fachadas gastas pelo sol, pelo vento e pelo tempo, mas carregado de histórias que sobrevivem às paredes. É um ponto onde a memória do artista se mistura com a alma quente de Zanzibar, revelando, mais uma vez, uma cidade que guarda o passado sem perder a noção do presente.
O Mercado de Darajani é o coração pulsante de Stone Town. Aqui, vendedores locais oferecem especiarias, frutas tropicais, peixe fresco, tecidos e produtos do quotidiano. É um local vibrante, cheio de aromas intensos e cores vivas, onde se sente a verdadeira vida da cidade. É um dos pontos mais autênticos de Zanzibar, já o Museu da Escravatura é uma visita essencial para compreender o lado mais doloroso da história da ilha. Instalado no local onde funcionava o antigo mercado de escravos, o museu apresenta celas originais, documentos históricos e testemunhos que revelam a dimensão humana do tráfico de escravos que marcou profundamente a região. É um espaço de reflexão e memória, fundamental para quem deseja conhecer Stone Town de forma completa.
Também o Palácio do Sultão, hoje convertido em museu, é uma visita interessante pois oferece uma visão da vida da realeza omanita que governou Zanzibar durante séculos. Os seus salões, objetos pessoais e documentos históricos ajudam a compreender o papel político e cultural do sultanato na formação da identidade da ilha.
As portas esculpidas são um dos símbolos mais distintivos da cidade. Feitas em madeira de teca ou mogno, apresentam padrões geométricos, inscrições árabes e motivos florais que refletem a fusão de influências culturais. Muitas destas portas têm mais de cem anos e são consideradas verdadeiras obras de arte.
Ao final da tarde, os Jardins de Forodhani transformam-se num mercado gastronómico ao ar livre. Bancas de comida preparam peixe grelhado, espetadas, samosas, sumos naturais e o famoso Zanzibar pizza. É um dos melhores locais para sentir a energia da cidade, provar especialidades locais e observar o movimento junto ao mar.




















Onde ficar hospedado
Stone Town oferece uma variedade de alojamentos que refletem a sua identidade histórica e multicultural. A cidade não é dominada por grandes cadeias internacionais; em vez disso, destaca-se por edifícios antigos convertidos em hotéis de charme, casas tradicionais transformadas em guesthouses e algumas opções modernas que garantem conforto adicional. Hospedar-se aqui significa acordar rodeado por arquitetura swahili, portas esculpidas e o ambiente vibrante das ruas estreitas.
Os hoteis boutique históricos são uma das escolhas mais populares. Instalados em edifícios centenários, muitos deles antigos palácios ou casas de comerciantes, estes hotéis preservam elementos originais como varandas em madeira, tetos altos e pátios interiores. A decoração combina influências árabes, indianas e africanas, criando ambientes elegantes e intimistas. São ideais para quem procura uma estadia com carácter e proximidade às principais atrações.
As guesthouses tradicionais por seu lado, oferecem uma experiência mais familiar e autêntica. Muitas são geridas por famílias locais que partilham histórias, dicas e tradições com os hóspedes. Os quartos tendem a ser simples, mas acolhedores, e o pequeno-almoço inclui frequentemente fruta fresca, pão caseiro e chá de especiarias. Para quem valoriza o contacto direto com a cultura local, estas guesthouses são uma excelente opção.
Em regra mais afastados do centro histórico, os hotéis e resorts modernos, proporcionam comodidades contemporâneas como ar condicionado, piscinas, restaurantes internacionais e terraços com vista para o mar. O resort Tembo Kiwengwa, por exemplo, é uma boa escolha para quem quer ficar entre a praia e a cidade, prefere conforto previsível ou viaja em família e procura instalações mais amplas. Veja o video em baixo.
Independentemente da escolha, é bom lembrar que ficar hospedado em Stone Town significa estar a poucos passos dos mercados, das atrações históricas e dos Jardins de Forodhani. A cidade é compacta e facilmente explorável a pé, pelo que escolher um alojamento central facilita imenso a experiência. Como Stone Town é um destino muito procurado, especialmente durante a época seca, reservar com antecedência é recomendado.
O que comer e beber
A gastronomia de Stone Town é um reflexo direto da sua história multicultural. Aqui, a cozinha swahili combina influências árabes, indianas, africanas e até europeias, criando pratos aromáticos, ricos em especiarias e profundamente ligados ao mar. Comer em Stone Town é uma experiência sensorial completa, marcada por sabores intensos, ingredientes frescos e tradições culinárias que atravessaram séculos.
A cozinha swahili é o ponto de partida para qualquer explorador gastronómico. Baseada em coco, especiarias e peixe fresco, oferece pratos como o urojo, o octopus curry ou o coconut fish. A utilização de cardamomo, cravinho, gengibre e canela dá aos pratos um aroma característico que distingue Zanzibar de outras regiões da Tanzânia.
Os pratos de influência indiana, como biryani e pilau, são extremamente populares. O biryani de Zanzibar, preparado com carne, peixe ou legumes, é conhecido pelo seu sabor profundo e pela combinação de arroz aromático com especiarias locais. O pilau, mais simples mas igualmente saboroso, é frequentemente servido em celebrações e refeições familiares.
O peixe grelhado é uma das especialidades mais apreciadas, especialmente nos Jardins de Forodhani ao final da tarde. Aqui, vendedores preparam peixe fresco, lagosta, camarão e espetadas de frutos do mar, tudo grelhado na hora. É um dos melhores locais para provar sabores locais num ambiente descontraído junto ao mar.
As bebidas naturais são outro destaque. Os sumos naturais feitos com manga, maracujá, tamarindo, ananás ou lima são refrescantes e perfeitos para o clima quente da ilha. O sumo de tamarindo, em particular, é muito popular entre os residentes.
Para quem procura algo mais tradicional, o chá de especiarias é uma bebida emblemática. Preparado com canela, gengibre, cardamomo e cravinho, é servido quente e acompanha na perfeição sobremesas locais como o kashata (doce de coco e amendoim) ou o halua.
Embora a influência portuguesa seja menos evidente na gastronomia atual, ela permanece em alguns métodos de conservação de peixe e em certas combinações de sabores que chegaram à ilha durante o período colonial, integrando-se na culinária swahili ao longo dos séculos.
A influência portuguesa ainda se sente em alguns métodos de conservação de peixe e em certas combinações de sabores que chegaram à ilha durante o período colonial.
Como visitar Stone Town
Para visitar Stone Town terá de voar desde Lisboa ou Porto para Zanzibar, com escala em cidades como Istambul, Doha ou Dubai. O centro histórico de Stone Town fica a cerca de 15 minutos do aeroporto internacional, sendo fácil chegar lá de táxi.
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