Imagine um lugar onde arte contemporânea, arquitetura visionária e tradição vitivinícola se encontram. Esse lugar é Venta d’Aubert, um dos espaços mais belos e originais da região espanhola de Matarraña.
Em Venta d’Aubert, a ligação à natureza é central. Não há barreiras ou muros, apenas caminhos de terra que conduzem os visitantes por paisagens abertas onde o silêncio e a luz se tornam parte da obra.
Abriga o Solo Sculpture Trail, um percurso de cerca de três quilómetros que atravessa vinhas, olivais e bosques, com o Parque Natural dos Puertos de Tortosa-Beceite como pano de fundo. Este trilho reúne mais de vinte esculturas e instalações criadas por artistas internacionais, concebidas em diálogo direto com a paisagem. O projeto, com curadoria de Eva Albarrán e Christian Bourdais, procura refletir sobre os desafios de um mundo em transformação, propondo novas formas de interação entre arte, natureza e sociedade. Entre as obras mais relevantes destacam-se peças como Blossom, que evoca a fragilidade e a regeneração da vida, No Future, instalação de Daniel Schäfer, ou esculturas monumentais que se fundem com a pedra e a luz da região, criando uma experiência estética que dispensa paredes e galerias tradicionais.
Percorrendo a propriedade percebemos que esta se caracteriza por contrastes de altitude, proximidade ao mar e uma longa tradição de rotas comerciais mediterrânicas. A sua dimensão cultural articula-se bem com a sua vocação agrícola, expressa numa bodega histórica, recuperada nos anos 80 do século passado, e que hoje funciona como uma adega biológica, dedicada à produção de vinhos de elevada qualidade.
Cultivadas em solos pedregosos e sob clima mediterrânico, as vinhas de Venta d’Aubert dão origem a tintos e brancos que refletem Matarraña, e que complementam o percurso artístico com provas que permitem aos visitantes saborear a expressão da terra através de aromas e sabores cuidadosamente trabalhados.









Esta integração reforça a filosofia das Solo Houses, um projeto arquitetónico que reúne casas de autores de referência internacional, concebidas com total liberdade criativa e implantadas em harmonia com o ambiente. A futura construção de um hotel na área, promete ampliar esta experiência, oferecendo estadias que combinam arquitetura de vanguarda, arte contemporânea e contacto direto com a paisagem. Enquanto isso não acontece, quem estiver interessado, pode ficar hospedado numa das casas já existentes na propriedade, nomeadamente na premiada Solo Office, projetada pelo atelier belga Office KGDVS.
Esta residência circular distingue‑se pelo uso extensivo de painéis deslizantes que permitem abrir ou fechar o perímetro quase por completo, criando uma relação direta e mutável com a paisagem envolvente. Cada dia, podemos ter uma nova casa que dialoga com o território, explorando linhas puras e volumes geométricos, procurando dissolver as fronteiras entre interior e exterior, tirando partido da luz, do silêncio e da vastidão do Matarraña.
Este equilíbrio entre inovação formal e respeito pela envolvente natural tem sido amplamente reconhecido, contribuindo para a reputação internacional do projeto como um dos mais ousados e influentes da arquitetura contemporânea na Península Ibérica.

Concebida entre 2012 e 2017, o objetivo deste projeto foi criar uma arquitetura quase invisível, que sublinhasse a força do território em vez de competir com ele.
A estrutura é composta por um grande anel de betão sustentado por quatro conjuntos de pilares que definem as zonas habitáveis. As fachadas podem abrir-se totalmente, permitindo que o interior se prolongue para a paisagem e que a natureza atravesse o espaço habitado. No pátio interior encontram-se uma piscina e um jardim selvagem, reforçando a ideia de continuidade entre o construído e o natural.
Esta abordagem tem sido amplamente elogiada e a Solo Office foi nomeada para os 40 melhores projetos de arquitetura do Prémio da União Europeia para Arquitetura Contemporânea – Mies van der Rohe Award em 2019, uma das mais prestigiadas distinções do setor, confirmando o impacto e a relevância da casa no panorama arquitetónico europeu.
Venta d’Aubert representa uma síntese rara entre arte, arquitetura e vinho, transformando-se num destino cultural e enoturístico de referência. A Sculpture Trail não é só um espaço de contemplação estética, mas um convite a pensar o futuro das relações entre humanidade e natureza, enquanto as vinhas e o vinho produzido na propriedade perpetuam a tradição agrícola da região. O futuro hotel promete consolidar este diálogo, oferecendo uma experiência completa que une criação artística, paisagem e gastronomia.
Para mais inspiração e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
