Montenvers | O emblemático comboio vermelho de Chamonix

O Train du Montenvers, emblemático comboio vermelho de Chamonix, que funciona desde 1909, é uma das formas mais agradáveis de conhecer as montanhas francesas. Mais curto e menos famoso e mediático do que outros percursos alpinos, como o Bernina Express, oferece, ainda assim, uma experiência autêntica e a oportunidade de apreciar de forma  tranquila a paisagem do maciço do Mont Blanc.

Uma viagem agradável e panorâmica

A viagem no comboio de Montenvers começa na estação central de Chamonix, a Gare du Montenvers, localizada a poucos minutos a pé das ruas principais. O embarque é simples: bilhetes verificados, portas abertas e cada passageiro escolhe o seu lugar nas carruagens vermelhas, que mantêm o estilo tradicional mas estão bem conservadas. O trajeto é direto, sem paragens intermédias para passageiros.

O comboio arranca devagar e mantém uma velocidade constante durante toda a subida. Como funciona com cremalheira (um terceiro carril dentado), não há acelerações bruscas nem solavancos. A inclinação é acentuada em vários trechos e isso permite ter uma noção clara da diferença de altitude entre o vale e o planalto de Montenvers. Durante o percurso, o comboio atravessa zonas de floresta, passa por túneis curtos e por secções onde o vale fica totalmente visível. Em alguns momentos é possível identificar Chamonix, as pistas de esqui e parte do maciço do Mont Blanc.

A viagem dura cerca de vinte minutos  e termina a 1.913 metros de altitude (veja o vídeo em baixo para ficar com uma ideia do percurso).

Ao sair da carruagem, a primeira coisa que se nota é a diferença de temperatura e a amplitude da paisagem. A estação de Montenvers está organizada de forma prática: há painéis informativos sobre o Mer de Glace (Mar de Gelo),  mapas dos trilhos e indicações para o Glaciorium, para o teleférico que desce até à Grotte de Glace (gruta de gelo) e para os vários miradouros.

A vista para a Mer de Glace, o maior glaciar de França, é o ponto central da visita. O glaciar é visível logo a partir da plataforma principal, e há informações sobre a sua evolução ao longo das décadas, incluindo marcações que mostram o nível do gelo em diferentes anos, ajudando a perceber a dimensão da retração do glaciar.

As vistas sobre o mar de gelo e sobre os picos circundantes, como os Drus e as Grandes Jorasses, impressionam. O glaciar não é apenas uma mancha branca; tem tons de cinzento, azul e fendas profundas que se percebem mesmo à distância. O ambiente é sereno e menos saturado do que noutros pontos turísticos dos Alpes, o que torna a experiência ainda mais especial.

O Glaciorium apresenta explicações sobre a formação dos glaciares, o movimento do gelo e o impacto das alterações climáticas. É uma visita rápida, mas útil para contextualizar o que se vê lá fora. A descida até à Grotte de Glace faz‑se por teleférico e depois por escadas. A quantidade de degraus varia todos os anos, porque depende da altura do glaciar. Dentro da gruta, o gelo é iluminado e há pequenos corredores escavados manualmente, que permitem observar as camadas internas.

Além das atrações principais, Montenvers tem trilhos bem sinalizados para quem gosta de caminhar. Alguns levam de volta a Chamonix, outros seguem em direção ao Plan de l’Aiguille. São percursos de dificuldade variável, mas todos começam junto à estação, o que facilita a organização da visita. É importante que quem for percorrer estes trilhos no inverno, venha bem preparado e com calçado adequado para enfrentar o frio e o terreno gelado.

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Vale a pena explorar um pouco Montenvers. O local é belíssimo, principalmente no inverno. Com sorte pode até avistar um veado a alimentar-se e outros animais e pássaros que integram a fauna local.

Quem desejar almoçar ou até pernoitar por aqui, tem no Refuge du Montenvers, um hotel histórico, uma excelente opção. 

No regresso, o comboio desce pelo mesmo percurso. A viagem porém, mantém o interesse pois permite rever a paisagem com outra luz, sobretudo ao final da tarde. 

Para quem deseja descobrir os Alpes de forma mais tranquila, com história, natureza, vistas grandiosas e menos pessoas, o Train du Montenvers é uma escolha que merece ser considerada.

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Guia prático para visitar o Train du Montenvers

Horários

Os horários variam ao longo do ano, ajustando‑se às condições de neve e à afluência turística.
Em geral no inverno e início da primavera as partidas são menos frequentes, normalmente de 30 em 30 minutos. No verão e no outono há mais comboios, com partidas a cada 20 minutos.

É aconselhável verificar o horário no próprio dia, pois pode haver alterações devido ao estado do glaciar ou às condições meteorológicas.

Preços

Os preços também variam consoante a época e o tipo de bilhete.
O bilhete simples que inclui só a viagem de comboio, custa cerca de 30,00€, o bilhete combinado que normalmente incluí Ida e volta no comboio, acesso à telecabine para a Grotte de Glace (quando aberta) e a entrada no Glaciorium, custa à volta de 50,00€.

Existem tarifas reduzidas para crianças, jovens e famílias. Quem possuir o Mont Blanc Multipass ou passes de esqui de Chamonix também pode beneficiar de descontos.

Melhor altura para visitar

Não há uma melhor altura para fazer esta viagem, todas as estações tem o seu encanto, tudo depende do que quiser privilegiar. Pessoalmente acho mais especial fazer esta viagem no inverno porque há menos visitantes, o ambiente é mais silencioso e neve torna tudo mais bonito e mágico. A desvantagem é que pode encontrar algumas atrações encerradas devido ao tempo. 

Se é amante de caminhadas o verão é melhor época para ir a Montenvers, pois terá o acesso à Grotte de Glace e aos trilhos pedestres mais facilitado. 

Trilhos e caminhadas

  • Montenvers – Plan de l’Aiguille: percurso panorâmico, de dificuldade média.
  • Montenvers – Chamonix: descida longa mas acessível, ideal para quem prefere regressar a pé.
  • Montenvers – Mer de Glace: trilho curto, mas com escadas íngremes, que leva até à gruta.

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