Fotos: Travellight e H. Borges
Wow! Foi a única coisa que consegui pronunciar quando avistei a Aldeia de Monsanto pela primeira vez. Sei que é uma falha grave para quem já viajou tanto, mas nunca antes tinha visitado este lugar.
Nomeada em 1938 a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, Monsanto distingue-se de todas as outras pelas enormes rochas que encontramos, tanto em volta da aldeia, como integradas nas próprias casas.
É tão linda que levei imenso tempo a subir a curta distância que vai da aldeia até ao castelo porque a cada passo tinha de parar para tirar uma fotografia. Mesmo assim acho que as fotos não conseguem fazer justiça à beleza deste lugar…





Este é um local muito antigo, com registo de presença humana desde o Paleolítico. Vestígios arqueológicos dão conta de um castro lusitano (ruínas ou restos arqueológicos de um tipo de povoado da Idade do Cobre e da Idade do Ferro característico das montanhas do noroeste da Península Ibérica) e de villas e termas romanas no campo de S. Lourenço, que fica no sopé do monte.
Conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, em 1165, e doada à Ordem dos Templários que ali edificaram o castelo sob as ordens de D. Gualdim Pais, Monsanto faz parte das doze Aldeias Históricas oficiais de Portugal, por ter desempenhado um papel estratégico na defesa do país face aos vários invasores que ao longo dos séculos tentaram a sua sorte.
Imagino como seria difícil conquistar esta aldeia. A conjugação das suas defesas naturais com aquelas que entretanto foram sendo construídas pelo homem transformaram Monsanto numa fortaleza inexpugnável.







Ainda antes de entrar na aldeia podemos apreciar a bela vista proporcionada pelo baluarte (que hoje funciona como parque de estacionamento).
Um pouco mais adiante, encontramos a Igreja Matriz — provavelmente construída no século XV, foi reformada durante o século XVIII, mas mantém o portal românico na sua fachada. No seu interior podemos admirar imagens e altares muito bonitos, em especial o altar-mor, bem trabalhado em talha dourada.
Do património histórico da aldeia fazem ainda parte o Pelourinho, a Antiga Capela do Socorro, a Porta de Santo António, a Capela de Santo António, a Igreja da Misericórdia e a Torre do Relógio que tem no cimo a Réplica do Galo de prata — símbolo do título de Aldeia Mais Portuguesa de Portugal.

Já no caminho para o Castelo encontramos primeiro a Fonte do Ferreiro, onde um pequeno azulejo nos informa que “A água desta nascente matou a sede a obscuros heróis”; depois descobrimos uma interessante Gruta e junto do Forno Comunitário há um miradouro natural da campina e do casario de Monsanto que se estende pela encosta. Outro destaque é a “Casa de Uma Só Telha” cuja particularidade é ter uma cobertura de rocha granítica.





O castelo de Monsanto hoje está, em grande parte, em ruínas, mas as suas duas portas — a Porta da Traição e a Principal — ainda são visíveis.

No interior da muralha do Castelo, encontramos a Cisterna, a Torre de Menagem, a Casa dos Governadores e a Igreja de Santa Maria. Esta igreja, no mês de maio, é palco da Festa de Santa Cruz realizada em memória de um cerco a que a povoação resistiu.
Conta-se que nesta ocasião Monsanto estava sitiada há mais de um ano e só sobrava, para a população comer, um último saco de grãos de trigo e um bezerro. Sabendo que estavam à beira da rendição, o líder da aldeia decidiu então dar todos os grão ao bezerro e depois atira-lo encosta abaixo, enganando o invasor que levantou o cerco por pensar que ainda existiam víveres em abundância no interior do castelo.







No lado de fora da muralha encontramos a Capela de São João, da qual resta apenas um arco e a Capela de São Miguel, construção do século XII/ XIII, de características românicas.





Quando voltamos a descer pela Rua de Santa Maria do Castelo podemos ainda ver, perto do Chafariz do Meio, na Rua Fernando Namora, a casa onde este famoso médico e escritor exerceu medicina.
Monsanto é realmente uma aldeia extraordinária e um passeio por estes lados é uma experiência inesquecível!

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Tchau!
Travellight
parei logo na primeira foto: WOW! e ri-me porque começaste o texto desta forma. as fotos são fantásticas, sente-se a história da aldeia e das pedras. adorei!
Muito obrigada Ana! Que engraçado termos pensado as duas a mesma coisa
Um registo incrível!
Portugal tem lugares maravilhosos!
As fotografias são excelentes e o texto bem elucidativo.
Ainda não visitei essa aldeia mas pude fazer uma viagem virtual.
Obrigada!
Mena
Belas imagens!
Tenho o previlégio das raízes serem de lá, cada vez que lá vou é sempre diferente! E fico bastante contente por ver que, a singularidade de Monsanto, continua a encantar quem por lá passa. Ter um blog com destaque no SAPO Viagens e apresentar Monsanto da forma ilustrativa, não é comum. Parabéns pelas magníficas fotos! De facto “WOW” é uma expressão bem elucidativa do que se sente SEMPRE que se chega a Monsanto!
Bela reportagem!
Agora tem de voltar a Monsanto num dia de sol!
A paisagem parece outra e o contraste das pedras com as suas sombras, é deslumbrante.
A não perder também o pôr do sol e a parte urbana na encosta Poente.
Volte, que não se arrependerá!
Monsanto e algo de espectacular, sugiro que visite também Idanha-a-velha.
Obrigada, vou visitar com toda a certeza
Muito obrigada. Tenho a certeza que vou voltar, fiquei realmente apaixonada por Monsanto
Muito obrigada pelo simpático comentário. É fácil fazer “boa figura” quando falamos de um lugar tão bonito como Monsanto
Muito obrigada!
Eu é que agradeço a visita ao meu blog e o simpático comentário
É verdade Margarida o nosso país é maravilhoso
Beijinhos
As fotografias estão excelentes. Tenho raizes em Monsanto e casa. Somos uma família numerosa e todos adoramos passar por lá ums dias. Hoje é uma aldeia muito visitada e por boas razões. É mesmo única com suas casas construidas entre a pedraria. Parabéns. Obrigada pela sua reportagem.
Eu é que agradeço as suas simpáticas palavras. Muito obrigada 😃
Monsanto, eternamente Monsanto, onde a paisagem sufoca quaisquer palavras que se lhes dirijam. Monsanto, eternamente bela e intocável, Monsanto!
Arnaldo Vasques
E eu tenho família em Idanha-a-Nova: desde a infância que por ali vou, saudosamente guardando a memória dos que me fizeram amar aqueles lugares maravilhosos. As minhas raízes assentam bem fundo naquelas paragens, por parte do meu avô Materno. Por ali deambulo sob o olhar atento e palavras sábias de António Catana, o guardador de memórias irrepetíveis daquelas gentes e lugares. Bem-Hajam todos. Um Abraço!
Muito obrigada pelo comentário!
Monsanto é deslumbrante, mas a sua reportagem só fica completa com a visita a Idanha-a-Velha fabulosa pela sua história e a Penha Garcia com uma magnífica paisagem geológica. As três povoações formam um triângulo perfeito que todos os portugueses devem visitar e conhecer.