A Poesia de Gondramaz

fullsizeoutput_4090Fotos: Travellight e H. Borges

“A vida é feita de nadas: De grandes serras paradas; À espera de movimento; De Searas onduladas pelo vento. De casas de moradias, caídas e com sinais, De ninhos que outrora havia nas Beiras; De poeira, de sombra de uma figueira; de ver esta maravilha: meu pai a erguer uma videira, como uma mãe que faz uma trança à filha”

É com este poema de Miguel Torga que a aldeia de xisto de Gondramaz, localizada na Serra da Lousã, concelho de Miranda do Corvo, recebe os seus visitantes.

E como são apropriadas estas palavras…

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Num mundo onde todos andamos a correr, ligados 24h por dia e preocupados com o tempo, chegar a um lugar como este, põe tudo em perspetiva.

Dá-nos espaço para respirar, para partilhar um “bom dia” com a senhora que varre a entrada de sua casa, ou uma gargalhada com o artesão que vende bonecos “malandros” na pequena loja de souvenirs da aldeia.

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Tempo para parar na capela e rezar uma pequena oração e tempo para sentar no banco de jardim a olhar as árvores.

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Pequena, mas tão bonita com as suas casas em xisto de tonalidade distinta. Restaurada na perfeição.

Gondramaz é hoje a casa de artistas plásticos e local de paragem obrigatória para praticantes de desportos como downhill ou BTT.

É uma das mais belas aldeias de Portugal.

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Percorro as suas ruas estreitas e sinuosas, fotografo o gato no telhado e todos os outros pequenos detalhes que encontro pelo caminho, como as pequenas estátuas que evocam santos ou figuras populares mais brejeiras….

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…E outro poema ecoa na minha cabeça:

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.”

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema VII”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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Tchau!
Travellight

 

10 Comments

  1. Uau ! Que lugar tão pacífico !
    Mais facilmente eu passava aí uns dias do que num lugar xpto muito concorrido.
    Beijinhos

  2. Palavras para quê???
    As fotografias dizem tudo!!!
    Grata pela partilha!
    Beijinhos
    Feliz Dia

  3. sandra sofia says:

    Gostei imenso de ver as fotografias,parece ser um sítio bem lindo,mas o que mais me fascinou foi o poema de Miguel Torga que deixaste no início desta tua publicação,adorei o poema!! Feliz tarde de quinta-feira para ti,muitos beijinhos!!

  4. Adoro a poesia de Miguel Torga e, assim, acompanhada pelas belas fotos e pela descrição desta viagem, tudo ficou mais bonito.Todos os anos, geralmente em Maio, passo uns dias de férias no nosso interior.Conheço algumas aldeias de xisto, mas não me recordo de ter visitado esta…
    Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

  5. É um poema lindissimo, também gosto muito 😊

  6. Eu é que agradeço a visita e o teu simpático comentário 😃
    Beijinhos!

  7. Já somos duas Marta… cada vez gosto mais de paz e sossego

  8. Também gosto muito da poesia de Miguel Torga e adoro estas pequenas aldeias do nosso Portugal 😊
    Boa semana Mariali. Beijinhos

  9. sandra sofia says:

    Lindíssimo,mesmo de verdade,
    Muitos beijinhos e excelente semana!!

  10. Jose Q Vieira says:

    WOW!

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