A encantadora Vila Real de Santo António, terra de fronteira, localizada nas margens do grande Rio Guadiana impressiona quem a visita pela sua singular beleza. Tem um traçado geométrico que recorda mais a baixa pombalina lisboeta do que as suas cidades vizinhas algarvias, mas não admira… foi fundada em 1774 por vontade expressa do Marquês de Pombal e hoje é considerada uma maravilha do planeamento urbano do século XVIII.
Fotos: Travellight e H. Borges
VRSA costuma ser uma cidade pacata, com uma atmosfera agradável e descontraída, principalmente no Outono quando há menos turistas, mas no dia em que lá cheguei estava barulhenta e cheia de gente. Parecia ter sido invadida por espanhóis! Está certo que estava a poucos quilómetros da fronteira e Ayamonte era logo ali ao lado, mas nada me tinha preparado para aquela enchente (nestes tempos pós-pandemia, qualquer sombra de multidão ainda faz confusão…)
Em pouco tempo percebi o que se passava: Era feriado em Espanha e nuestros hermanos tinham vindo em peso passá-lo em Portugal. “Tudo bem”, pensei, “a economia agradece”.
Respirei fundo (por trás da máscara) e aceitei a confusão. Afinal até dá gosto ver o movimento nas ruas e as lojas a transbordar de gente 😃.
Avancei devagar até à emblemática Praça Marquês de Pombal. Eram tantos os espanhóis que a cada passo tropeçava nos pés de alguém, mas com cuidado lá cheguei e deparei-me com uma maravilhosa feira de produtos regionais e antiguidades.
Havia mel, pão de alfarroba, pão de mel, cestos, figos, licores, queijos… Tudo do bom e do melhor. Um prazer para os olhos (e para a boca)!



Apesar do movimento, a beleza da Praça projetada por Reinaldo Manuel dos Santos, mantinha-se inalterada. No centro estava o Obelisco a homenagear o Rei D. José I, para onde convergiam as linhas da calçada portuguesa. De frente via-se a Igreja Matriz, com a sua fachada neoclássica simples e, em toda a volta, belas casas caiadas de branco com telhados de terracota, compunham o postal mais famoso desta pequena cidade, de aparência grandiosa.
Andando pelas ruas secundárias descobri algumas lojinhas encantadoras, detalhes arquitetónicos interessantes e o Centro Cultural António Aleixo — edifício em que se alojava o quartel militar, quando da fundação da Vila, e que depois foi transformado em mercado da verdura. Atualmente é um espaço polivalente de animação cultural e tem o nome do popular poeta natural de VRSA.



Um pouco cansada do barulho e da confusão, afastei-me do centro para a zona ribeirinha. A temperatura estava muito agradável e as vistas do Rio Guadiana convidavam ao passeio.
No caminho passei pela marina, pela antiga Casa da Alfândega e pelo Arquivo Histórico Municipal. O Torreão Sul, edifício que alberga atualmente o Arquivo Municipal, constituía o limite sul da fachada da Vila no seu traçado inicial. Este é um dos mais importantes elementos arquitetónicos da zona histórica de Vila Real de Santo António, e foi recuperado e restaurado de acordo com a sua traça original.
Espreitei também os painéis de azulejo da Capitania, construída no local em que antes existiu a Fábrica de conservas Victoria, e à distância ainda vi o Farol erguido em 1923.
Já a fazer o caminho de regresso para o centro, reparei nos bonitos edifícios que povoam a Avenida da República, como o Antigo Hotel Guadiana, hoje Grand House Hotel, onde tive a sorte de ficar hospedada. É uma obra do arquiteto Ernesto Korrodi, em estilo Art Nouveau e foi muito bem recuperada.



Com a hora do almoço a chegar parei no Restaurante Cantarinha do Guadiana para um belíssimo repasto: javali no barro e arroz de cabidela. O difícil foi levantar da mesa depois 😉.

Os excessos do almoço pediam um pouco de exercício, por isso segui para o Parque Natural da Mata Nacional das Dunas Litorais, uma floresta costeira composta por pinheiros e dunas com trilhos para caminhadas e ciclismo que se estendem até à cidade vizinha de Monte Gordo. É o lugar perfeito para fugir das multidões. Abaixo da floresta existe também um lindo trecho de praia a emoldurar as águas do mar algarvio.

Respirei o aroma fresco dos pinheiros, fiquei a ver as ondas a baterem suaves na praia e depois regressei ao centro. Nessa altura os espanhóis já tinham começado a partir e VRSA voltava a recuperar toda a sua tranquilidade.

Olhei para o Guadiana que brilhava ao sol e ali fiquei, a sonhar…
O homem sonha acordado;
Sonhando a vida percorre…
E desse sonho dourado
Só acorda, quando morre!
— António Aleixo
Linda descrição! Muito envolvente, como sempre!

Um convite a passear e conhecer os recantos deste nosso país.
Muito obrigada por mais um interessantíssimo post! Gosto muito de Vila Real de Santo António. è uma cidade muito bonita!
É mesmo encantadora, conheço bem e adorei lá estar
Beijinhos

Feliz Dia
Que saudades!!!


Grata pela partilha, Ana!
Dia Feliz!
Muito obrigada Gaivota!
Beijinho
Também gosto muito desta bonita cidade

Beijinho Ana, obrigada
Também eu! Foi uma escapadinha deliciosa

Beijinho Luísa
Voltei de lá à pouco e também já estou com saudades
…
Beijinho Zé!
Bom dia!
Fantástica descrição! Belíssimas fotografias.
Obrigado pela partilha.
Feliz dia!
Bjs
Uma descrição pormenorizada , ilustrada por belas fotografias.
Fiquei com vontade de revisitar VRSA , onde já não vou há cerca de 8 anos!
Mena
Obrigada Maria!
Beijinho e Bom fim de semana
Vale a pena voltar lá, VRSA está ainda mais bonita
Obrigada pelo comentário!
Olá!
BFS
Estive em VRSA este verão pois estive na zona do Sotavento algarvio. A geometria das ruas fez-me lembrar Espinho, claro
Surpreendeu-me bastante a quantidade de lojas de tecidos. Talvez seja a cidade com mais lojas desse género por metro quadrado. A marginal sobre o Guadiana é muito agradável.
Já não ia a VRSA há alguns anos e também já não me recordava do número imenso de lojas de tecidos que há por lá