Em Guimarães, no Monte Latito, junto ao Castelo, berço da nacionalidade portuguesa, e da Igreja de S. Miguel, encontramos o Paço dos Duques, um imponente palácio, originalmente mandado construir por D. Afonso, filho bastardo do rei D. João I, e primeiro duque de Bragança, para servir como sua residência e a da sua segunda mulher, D.Constança de Noronha.
As características arquitetónicas desta majestosa casa senhorial denotam uma forte influência europeia e transformam-na num exemplar único na Península Ibérica. É um lugar extraordinário que merece uma visita de quem passar por Guimarães.

À primeira vista, o Paço dos Duques parece ter pouco a ver com Portugal. As suas 36 chaminés, telhados, arcadas e tetos em madeira, lembram mais um palácio medieval francês, do que um edifício mandado construir, durante o século XV, por um nobre português. Contudo, ao ler um pouco sobre a sua história, conseguimos perceber rapidamente porquê.
É certo que o Paço dos Duques começou por ser construído em 1420 pelo filho bastardo de D. João I, D. Afonso, conde de Barcelos e futuro duque de Bragança, mas na verdade ele nunca chegou a ser concluído.
Com planta quadrangular, formada por quatro alas em torno de um pátio central e torreões nos ângulos (à semelhança do Paço dos Reis de Maiorca, em Perpignan), a autoria do projeto original deste palácio é desconhecida, apesar de muitos o atribuírem a Anton, um mestre pedreiro, de origem francesa que nessa época residia na cidade de Guimarães.
Supostamente o palácio, na sua forma original, deveria refletir o gosto estrangeirado do duque de Bragança, que já estivera em França e Veneza em missões diplomáticas, mas as obras foram interrompidas em 1461, com a morte do seu mentor, e só foram retomadas em 1478, impulsionadas pelo seu neto, Fernando II, o 3.º duque de Bragança. Este, porém, seria acusado de traição por D. João II – como muitos outros nobres – e ficaria com todos os bens confiscados, tornando-se o Paço propriedade da Casa Real.
Em 1496, no entanto, as coisas voltam a mudar e os bens da Casa de Bragança são restituídos ao 4.º duque de Bragança, D. Jaime – que vai construir o terceiro piso da ala posterior do Paço, ligando os dois torreões que ladeiam a capela. Seria a única ala a ter três pisos, porque, no início do século XVI, com a deslocação dos duques para Vila Viçosa, o edifício é encerrado e abandonado, vindo mesmo alguma da sua pedra a ser usada no mosteiro das Clarissas e na construção do Convento da Piedade.
A degradação do Paço acentua-se a partir de 1616, com a doação de Guimarães ao castelhano D. Diogo da Sylva e Mendonza, só vindo a abrandar no início do século XIX, com a instalação do Quartel do Regimento de Infantaria 20 nas suas partes menos danificadas.
A salvação do edifício chega finalmente em 1937, altura em que o Paço sofre profundas obras de restauro e reconstrução (que duram até 1959), adquirindo a sua atual aparência, sobretudo pelo acrescento de dois pisos à ala frontal e de um terceiro piso às alas laterais.


Quando o Arq. Rogério de Azevedo iniciou os trabalhos de restauro e reconstrução do Paço dos Duques, este encontrava-se profundamente arruinado, tendo a sua estrutura quase desaparecido ou sido sucessivamente desfigurada pelas obras de adaptação aos vários quartéis que, ao longo de mais de um século (desde 1807), ali se instalaram.
O restauro, feito durante o século XX, veio alterar dramaticamente o perfil da construção que sobrevivera até então. A ideia do arquiteto responsável foi recriar o edifício “como ele deveria de ser, sem porém nunca o ter sido”.
Paralelamente, procedeu-se à aquisição do recheio atual, composto por peças de arte datadas, essencialmente, dos séculos XVII e XVIII. Das coleções existentes destaca-se, pelo seu valioso contributo para a história dos Descobrimentos Portugueses, o conjunto das quatro cópias das tapeçarias de Pastrana cujo desenho é atribuído ao pintor Nuno Gonçalves (séc. XV), que narram alguns dos passos das conquistas do norte de África, nomeadamente Arzila e Tânger. Os originais foram mandados executar em Tournai, no século XV pelo rei português D. Afonso V encontrando-se hoje em Espanha. As cópias (únicas) foram adquiridas pelo Estado Português em 1957 sendo executadas em Espanha pela Real Fábrica de Tapices de Madrid. O núcleo de tapeçarias flamengas também mercem a nossa atenção. Foram executadas segundo cartões de Pieter Paul Rubens e os seus temas refletem episódios da vida de um Cônsul Romano.
Numa das salas encontram-se expostas algumas das armas que foram reunidas pelo segundo Visconde de Pindela, e mais tarde adquiridas pelo estado Português.
Fazem ainda parte do espólio do Paço, mobiliário português do período pós-descobertas, uma grande coleção de porcelanas da Companhia das Índias, e faianças portuguesas das principais fábricas da época: Prado, Viana, Rocha Soares e Rato.













O Paço dos Duques está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e engloba na sua estrutura uma ala destinada a residência oficial da Presidência da República.
Se passarem por Guimarães não deixem de conhecer este interessante monumento português!
Tchau,
Travellight


Que lindo Ana
Beijinhos

Feliz Dia
Excelente partilha!


Resto de dia Feliz!
Beijinhos
Há muito para conhecer em Portugal
Eu gostei muito de conhecer