
Patagónia Express abriu-me a porta a Luis Sepúlveda. Ler o livro foi como descobrir um amor que nos arrasa ou uma paixão que nos atropela. A seguir veio O Velho Que Lia Romances de Amor, depois a História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar e tantos outros.
Assim que começava um livro não o conseguia deixar. Devorava as histórias em poucas horas, e mesmo estas pareciam minutos.
Luis Sepúlveda levava-me em viagem por lugares que eu ainda não conhecia e por outros que já pertenciam às minhas memórias. E tal como numa conversa longa com um bom amigo eu voltava a encontrar-me no fim do mundo, na Terra do Fogo, sob os céus infinitos da Patagónia Chilena, a ver os pedaços de gelo que se desprendiam do glaciar Gray e como enormes diamantes flutuavam até à praia onde o silencio era absoluto.
Recordo até hoje Ladislao Eznaola, que navega incansavelmente pelos canais à procura de um navio fantasma; o pequeno Panchito Barria, que morreu de tristeza; Bruce Chatwin, Coloane, Butch Cassidy e Sundance Kid… uma série de personagens excecionais, reflexões, contos, lendas e encontros que se entrelaçam no majestoso cenário do Hemisfério Sul, onde a aventura não é apenas possível ainda, mas é a dimensão diária da vida.
Pareciam notas de viagem, mas eram também notas de como se deve viajar. Como conhecer o mundo, Como olha-lo e como ama-lo.
Sepúlveda falava sobre política, reivindicava poesia e fazia os seus personagens pensarem em si mesmos e na sua história. Colocava-os em territórios virgens, não idílicos, que serviam de desculpa para falar sobre ativismo ambiental — mais evidente no Mundo do Fim do Mundo, História de um cão chamado Leal ou na História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, mas presente em todos eles.
Como me encantava com as suas histórias e aventuras onde tecia os fios da narrativa para dar vida a personagens pitorescos e tramas impregnadas de paixões e ideais. Ideais pelos quais ele tanto lutou.
Hoje volto a pegar nos seus livros e os meus sonhos levam-me ao universo ardente do deserto de Atacama onde rosas brotam da areia uma vez por ano para murchar depois de algumas horas sob o calor do sol e nos lembrar que a vida geralmente não passa de uma forma estoica de resistência.
Volto até à selva amazónica brasileira, até aos Lençóis Maranhenses, ao prazer de tomar uma cerveja gelada na noite de Ipanema, ao gosto de um guarapo tomado à beira do rio Fonce, na Colômbia e ao delicioso sabor de um cordeiro assado em Perito Moreno.
Revejo as livrarias da Avenida Corrientes em Buenos Aires; o mercado portuário de Montevidéu e a cidade de Hamburgo. Sinto tudo novamente… e agradeço a Sepúlveda por me continuar a transportar até lá, principalmente nestes dias em que só podemos viajar nas palavras e na imaginação.
“Nunca mais ficaria sozinho. Coloane transferira os seus fantasmas, personagens, índios e emigrantes de todas as latitudes que habitam a Patagónia e a Terra do Fogo, seus marinheiros e vagabundos. Todos vão comigo e permitem-me dizer em voz alta que viver é um ótimo exercício. ”
Fiquei tão triste com a sua morte!!!!
Beijinhos Ana

Bom Fim de Semana!
Uma coisa eu te digo: gostas mais de ler do que eu,confesso que prefiro ouvir música,ver televisão,andar pelo mundo da blogosfera da sapo na internet e,claro,sempre ajudar nas tarefas domésticas da casa!! Continuação de boas leituras para ti,é uma pena que Sepulveda nos tenha deixado devido ao terrível coronavírus,esta doença não escolhe as pessoas que mata!! Feliz resto de mês de Abril para ti,muitos beijinhos e até breve!!
Obrigada pelos comentários Sandra!

Feliz resto de mês de Abril para ti também
Fica bem!
Também sou grande fã de Sepúlveda… deixa um enorme vazio, apesar da sua imensa e genial obra nos acompanhar para sempre…

Fica Bem!
De nada,
,não tens que agradecer os comentários!!
Muito obrigada a ti também,eu fico bem se Deus quiser,
É verdade… fica a sua obra

Beijinhos MJP