Anthony Bourdain

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Viajar nem sempre é bonito. Nem sempre é confortável. Às vezes dói, até parte o teu coração. Mas está tudo bem. A viagem muda-te, deve mudar-te. Deixa marcas na tua memória, na tua consciência, no teu coração e no teu corpo. Trazemos algo connosco. Espero que deixemos algo de bom para trás.   – Anthony Bourdain

Anthony Bourdain morreu. Senti um choque profundo. Sei que aconteceu ontem mas só vi a noticia hoje de manhã (quando estou em viagem fico meio desligada da actualidade). 

 

Não o conheci pessoalmente por isso nunca tive oportunidade de lhe dizer o impacto que teve na minha vida e na forma como viajo, mas  também não sei se alguma vez teria tido coragem de o fazer…

 

Admirava-o, admirava-o muito. Mais do que um Chef de cozinha, mais do que um apresentador de televisão famoso, Antony Bourdain era alguém que, partindo de uma necessidade básica de todos nós – a necessidade de comer – conseguia de uma forma muito particular mostrar aquilo que nos une a todos, aquilo que todos partilhamos, aquilo que em última análise faz de nós seres humanos.

 

Quando eu me sentava para assistir a um programa seu, eu sabia que ia descobrir algo novo mesmo que fosse sobre algum destino que eu já conhecia bem. As histórias não eram sobre comida, a comida era apenas o fio condutor que levava à verdadeira experiência.

 

Parecia que quando ele se sentava à mesa tudo ficava mais civilizado e todos os assuntos, mesmo os mais polémicos e difíceis, ficavam mais fáceis de debater.

 

A comida é uma porta aberta para as mentes e corações de uma cultura, é aquilo que permite a interacção e a conexão com as pessoas. Parece que quando estamos a comer baixamos a guarda, estamos felizes, temos a boca cheia e, talvez por isso também, temos de parar de falar e ouvir os outros.

 

Quando viajamos gostamos de entender como é viver naquele lugar, o que motiva as pessoas que lá vivem, quais são as suas expectativas, sonhos e preocupações.

Ninguém fazia isso melhor do que Anthony Bourdain.

Ele era real, autêntico e isso criava empatia, deixava à vontade desde o vendedor de rua até ao Presidente Obama.

 

Pena que no fim os seus demónios pessoais tenham levado a melhor.

 

Vou sentir muito a sua falta…

4 Comments

  1. Também eu partilho tudo aquilo que dizes sobre a forma dele viajar e o impacto que teve e tem em mim.

  2. A distância entre o eu que sou, e o que quero mostrar, deve ser nula, quase…
    Estou a falar um pouco à toa, mas é que não compreendo… Gente bonita, transbordando energia tão boa e, depois, acaba-se, assim… 🙁
    Boa semana!
    Beijinho

  3. Ele tinha uma forma muito especial de nos mostrar o mundo…

  4. Compreendo o que dizes Mariali, é dificil perceber como é que alguem que aparentemente tinha tudo para ser feliz, decide por fim à vida de forma tão abrupta. Acho que aquele ditado que diz “quem vê caras, não vê corações” está certo. Muita gente esconde demónios interiores que nem imaginamos…
    Beijinho e boa semana para ti também!

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